“Agua de Março” – Elis Regina e Tom Jobim, 1974

by Jakeblues

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma ponta é um ponto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

“Agua de Março”, scritta da Tom Jobim, è stata incisa il 22 febbraio 1974 dall’autore con Elis Regina.

Uno dei pezzi più famosi e importanti della MPB (Musica Popolare Brasiliana), “Agua de Março” è una canzone ‘didascalica’, nella quale non si racconta una storia, ma vengono presentate alcune immagini, l’ultima delle quali, “águas de março fechando o verão, É a promessa de vida no teu coração” (acqua di marzo che chiude l’estate, promessa di vita nel tuo cuore), ci lascia con il dolce pensiero del passaggio delle stagioni, il saluto all’estate che è ormai un ricordo e l’abbraccio all’autunno che sta bussando alle porte (siamo in Brasile; in Italia sarebbe stata l’acqua di settembre).

Visto che ancora non avevo parlato di musica brasiliana in questo sito, comincio con questa perché, semplicemente, è proprio allegra e nostalgica allo stesso momento, un po’ come tutta la samba e l’MPB. Questa è la versione più nota, con le voci di Tom Jobim, uno dei creatori della bossa nova, e di Elis Regina, la Janis Joplin del brasile, gaucha di Porto Alegre, rubata alla vita dalla cocaina, come sempre in questi casi, davvero troppo presto.

La dedico al Brasile, questa terra incredibilmente bella e violenta, acerba e esperta, allegra e malinconica.

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